quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Confissão de medo - Ana Kita

   silêncio, sempre gostei de ti. de verdade mesmo. embora eu goste de música e do som do mar, deliciava-me com o silêncio da noite ou da mata. mas, sempre o temi. fosse pela escuridão, ou principalmente pelo clima de desentendimento. bastava um momento de vulnerabilidade pra me sentir consumida por ti. estava lá eu e alguém de que muito gosto, de repente eis que aparecia e me apavorava. não queria que fosse assim, juro. lembro que uma vez li algo sobre o amor existir na falta de constrangimento de duas pessoas frente a ti. talvez seja verdade, não se trata de constrangimento. se tá tudo bem, nem te sinto, muito menos como incômodo. mas, quando não tá, qualquer instante te torna um monstro gigante. sério, não me julgue louca. dói tanto. às vezes tento conversar, não necessariamente te quebrar, mas entender teu aparecimento. ninguém me fala. fico sem entender e na dúvida: peço tua ajuda, silencio.

Ana Kita

2 comentários:

  1. Nossa, como foi interessante esse texto! Adorei o dialogar com o silêncio.

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  2. Muito obrigada, Philipe! Que bom! ;D

    Beijos, beijos!
    Ana

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