sexta-feira, 28 de maio de 2010

Textofonia 11: "que pudesses me ver"

Luz. O raio de sol ou a luminosidade de alguém especial não depende além de mim. Sou eu quem pode ser abrigo, refletor ou transponível. A decisão cabe a mim.
Gosto. Passo o dia a preferir. A roupa de vestir, o verbo de usar, o texto de escrever. Se fossem caminhos, todos se cruzariam, não haveriam placas, nem regras. As escolhas seguem uma só motivação: gostar. De gosto em gosto, o destino é sempre o mesmo.
Rabiscos. Pensamentos isolados, pensamentos constantes. Ideias que voam, desejos que se verbalizam. Mãos descontroladas, sentimentos dominadores. Vontades como brisas trazendo arrepio, levando saudades. Acolhem-me na solidão.
Olhos. Um olhar distante, a busca insistente por alguém que não encontro. Olhos úmidos, brilhantes. Olhos que acreditam, olhos que aquecem. Olhos invadidos, olhos que penetram. Olhos humildes, aconchegantes. Duas gotas de uma imensidão oceânica, uma certeza e uma pergunta, silenciosas.
Passado. Páginas de calendários amassadas. Palavras ao vento que perdidas voltaram. Lembranças dos dias que virão. Pedidos, promessas. Juras de amor sussurradas no ouvido. Mãos dadas, corpos aquecidos. Nada fazia sentido, eu só descobriria pelo acaso de uma canção.

Ana Kita


-> Auxílio da canção "Giz" - Legião Urbana.

2 comentários:

  1. putalasqueosparius!

    que imagem!
    que texto!

    que combinância! (dá-lhe neologismos!)

    beijo!

    ResponderExcluir